Linguiça cheia

Linguiça cheia (ENS) - Gilberto Sakurai, O Maldito Escritor

 

Me desagrada não poder escrever os meus troços deitado. Que é do jeito que gosto de ler e de transar, assim como a maioria das pessoas. E de ver porcaria no celular. Pois canetas não funcionam assim. Pelo menos não as que eu tenho.

Já contei essa piada em outro texto.

Que ninguém leu.

E me incomodou no passado desconfiar que eu não escrevia tão bem quanto Kafka.

Hoje a certeza disso não me causa nenhum desconforto.

Sei que ele escreve melhor do que eu pelo simples fato de que depois das primeiras 30 ou 40 páginas já começo a ficar meio de saco cheio e tenho que fazer uma força sobre-humana para continuar.

Isso também é uma piada.

“Metamorfose” é um dos meus livros favoritos. Sexy sem ser vulgar.

E ninguém perguntou.

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a kind of blue

uma caipirinha, uma cerveja, uma feijoada, um popularzão aqui perto de casa.

um palito de dente, pagar a conta, uma Pepsi “sem açúcar” (como se fosse adiantar de alguma coisa) para levar, um mini ataque de pânico sem nenhum motivo aparente.

de óculos escuros fazendo o caminho de volta. sol rachando, umas gostosas de minissaia, pensando numa abordagem estilo “ei, que tal a gente ir lá pra casa dormir com o ventilador ligado no 3? depois transarmos quando acordarmos?”.

só que não.

quando acordar Pepsi e cigarro. ler o jornal tendencioso. não ler o jornal tendencioso. talvez terminar de escrever isto aqui. trabalhar um pouco me sentindo com quarenta anos de idade a mais do que tenho — quando gosto de pensar que a probabilidade de eu chegar a tanto é muito pequena.

um exame há quinze anos atrás onde apareceu alguma merda; fiquei de levar para o doutor e acabei perdendo o bagulho. de propósito, claro.

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