lugar nenhum

mais uma tarde largada às traças

e mosquitos de fruta sobrevoando copinhos de café vazios

ventiladores prestes a despencarem dos tetos; bundas

gordas sentadas em cadeiras de escritório — de frente para a tela do computador

esperando sabe-se lá o que

da vida


esqueletos segurando copos de pinga em frente a algum boteco de esquina

copos de pinga segurando esqueletos e botecos de esquina


ônibus elétricos vermelhos circulando com  seus rostos tristes,

resignados

e de olheiras e feios

praticamente saltando para fora das janelas; vidas

completamente destruídas

ou chegando lá


pomba atropelada no meio da rua

bitucas de cigarros entupindo os esgotos

vômitos e camisinhas usadas em frente aos comércios fechados

um rastro de sangue que não leva a nenhuma pista

carros indo pra lá e pra cá…

seus motoristas

realmente

achando que estão indo a algum lugar.



Gilberto Sakurai – 24/05/2012

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