carro azul

carro azul - Gilberto Sakurai, O Maldito Escritor 2017

bebendo de novo e nem são duas da tarde. mas ele não é do tipo que põe tudo a perder. pelo menos não enquanto as coisas estiverem dando suficientemente certo. ele não bebe todos os dias dessa maneira. acredita em coisas como honrar as calças que veste, tratamentos de choque e ir até as últimas consequências se isso significar fazer o que é certo — como todo homem, ele gosta de pensar que tem culhões para sacrificar a própria vida por alguém ou alguma causa. e, claro, não pode ter certeza disso. [pois nunca morreu antes, gênio?] não que ele dê mais valor para a sua vida do que dá para a vida de um pernilongo filho da puta. o que, pensando bem, meio que invalidaria a coisa toda…. quanto ao que é certo, em geral ele está certo quanto ao que é certo, e provavelmente a opinião da maioria das pessoas a essa altura do campeonato vale para ele menos do que aquela aguinha fétida que escorre por baixo do saco de lixo. que é denominada chorume. mas ele detesta termos sofisticados e rebuscados. também não gosta de como soam bobagens novas como poliamor e o cacete. acha que já viu coisas demais. do tipo que acha já viu tudo que tinha para ver. as situações vivem se repetindo e ele, não raro, adivinha o quão decadente vai ser o final da festa. daí que acaba se preservando excessivamente. vive se esquivando de pessoas e acontecimentos. tem muito medo. de não ser bom o bastante. de criar laços com outros seres humanos e depois ficarem contando com ele o tempo todo — como se fosse o pai deles ou algo do tipo. ele acha que devia ser tratado como alguém importante só porque gostaria de ser alguém importante — muito embora ele seja um fracasso e saiba muito bem disso, obrigado. com os cachorros é diferente; ele ama os cachorros. até com os gatos é diferente. principalmente com os gatos — eles também não sabem o que dizer e/ou não ligam quando a mãe de alguém morre. e talvez girafas, falcões, dragões de komodo, tardígrados… mas ele também não gosta de bichos sofisticados. de qualquer maneira, é sempre bom não ter que cobrar um velho camarada pelo dinheiro que este pegou emprestado e fingiu esquecer de pagar. ele pensa como vai ser no dia de seu enterro. duas ou três pessoas. quatro ou cinco se tiver sorte. uma hora ou outra vai ter que arrumar uma meia dúzia de amigos. ele sabe que não existe esse negócio de “uma meia dúzia”, mas é assim que todo mundo fala.

ontem ele derrubou uma garrafa de Jack Daniels. e por derrubar, entenda-se tomar a garrafa toda. ou melhor, beber. vive dizendo por aí que Jack Daniels é melhor do que sexo — para seus três ou quatro amigos invisíveis. aliás, sexo tem se tornado cada vez mais cansativo. e filmes e livros e festas e música e jogos de azar e comprar roupas novas e sair para comer fora e fazer coisas de casa e não fazer nada e passeios por aí. aquela coisa de já ter vivido tudo que tinha para viver. porém, ignorando o erro de lógica ginasial que há nesse tipo de pensamento e atitude (não faz sentido um cara bater no peito e dizer que já viveu tudo que tinha para viver quando continua vivendo em seguida), certamente esse alguém não é ele. e um monte de outros caras legais ou imbecis completos por aí que pensam que são especiais só porque gostariam de sê-lo. e aí vai mais um termo sofisticado e rebuscado quentinho.

ontem mesmo falava sobre o carro azul que compraria e dirigiria sem rumo. parando em hotéis de beira de estrada e bebendo até morrer. de vez em quando uma prostituta para lhe fazer companhia.

ficaria melhor dizer “uma puta”, “uma bunda”, “um rabo”? …sei lá. é que ele preza demais as mulheres. além do mais, considera a prostituição um trabalho tão estúpido como outro qualquer.

ele só precisaria que tudo desse mais ou menos completamente errado para que pudesse por seu grande plano em prática. pelo menos três ou quatro vezes por semana se pega pensando nisso. certamente tem algum tipo de problema psicológico. anomalia. condição, sei lá o quê.

na verdade ele é deprimido.

achava que era bipolar.

há anos atrás tomou remédios controlados por causa de seus ataques de pânico.

um saco.

sonhava em ser um astro do rock.

nunca fez merda nenhuma para que isso acontecesse.

de vez em quando escarra sangue — o médico disse que é a coisa mais natural do mundo.

na verdade ele é um clichê.

quero dizer, um escritor.

agora sim: que clichê.

e nunca foi muito original. a ideia de se matar de tanto beber ele pegou de outro escritor que se matou — embora não saiba exatamente se foi de tanto beber (talvez indiretamente) —, cujo livro virou um filme chamado “Despedida em Las Vegas”. talvez seja o seu filme favorito e o filme mais triste de todos os tempos. ele não recomenda que ninguém o assista.

numa noite dessas ele conversava com uma mulher. estavam naquele estágio da embriaguez onde tudo parece ficar claro e fazer o maior sentido do mundo. falavam de como queriam ser quando eram mais jovens. ela como uma mulher mais alta, de cabelos mais lisos e compridos que os dela, uma mulher muito mais bonita que ela, segundo a própria; ele como o alter ego de seus textos, que na sua cabeça era ele mesmo com a roupa de escritor que ele usava quando ainda nutria alguma ideia romântica sobre o que era ser um: jaqueta marrom de tecido vagabundo e perdendo a cor, camisa xadrez azul com a tinta mais forte da base do peito para baixo — comprada numa liquidação de loja de departamento —, calça jeans há uma semana sem lavar e óculos escuros.  mais magro e mais blasé do que ele mesmo. fora isso, tudo igual.

ele disse para ela que ela era uma mulher muito melhor do que se imaginava.

ele se tornou o cara atrás da mesa. mas o escritório fica em um quarto de sua própria casa. acaba trabalhando demais; alguns dias terminam em 14 horas se arrastando de trampo. mais duas e boliviano nenhum teria merda alguma para lhe dizer. enterrou seus sonhos em troca de uma cama razoavelmente confortável.

que não é o pior cenário possível quando você considera todos os outros.

ela também trabalha demais. e sorri pouco. e queria fazer um monte de coisas e infelizmente não vai rolar. não nessa vida.

o que quer dizer nunca.

é isso aí: nunca.

e a vida de quase todo mundo é assim.

acabaram ficando bêbados demais para transar.

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se recobra de seu mini porre da hora do almoço escrevendo este texto. mais um sobre ele mesmo, e num período relativamente longo ao do último que escreveu. o que possivelmente reafirma que ele é um escritor bastante limitado, como já foi dito. houve uma época em que era capaz de produzir cinco textos por dia (veja que não estamos falando daqueles poemas que neguinho escreve uns 300 por dia e fica se achando gênio), e novelas e romances. naturalmente ele escrevia também algumas prosas poéticas de quando em quando… que hoje considera um tanto medíocres, como as letras das músicas do Bob Dylan, por exemplo. ele ainda gosta do Dylan, mas Bob é um músico, não um poeta. e muito menos um escritor. e daí que ele ganha prêmios internacionais pelos seus livros. o cara com o menor pau do mundo também ganhou um.

um dos poucos sujeitos que ele considera que escreveu músicas com valor literário: Lou Reed.

mais um: Leonard Cohen.

um que ele também gosta mas roubou o estilo de escrita de um certo velho safado e o musical de um obscuro Captain Beefheart: Tom Waits.

uma Tom Waits com mais talento que o próprio para certas tomwaitísses e menos para outras: Fiona Apple.

um canastrão cafonérrimo que uma vez fez um disco decente (Nebraska, obviamente): Bruce Springsteen.

note que estamos falando apenas do universo da música folk (por assim dizer) americana (há uma exceção abaixo; se tiver mais de uma, paciência).

um chato que compôs boas músicas: Nick Drake.

outro chato que idem: Neil Young.

uma farsa moderada que costumava ser divertida: Ryan Adams.

um cara que inventa tanta moda que não dá pra… ah, foda-se: Nick Cave.

uma loira que fez um disco que a crítica melou a cueca e é um disco decente, porém nada além disso: Lucinda Williams

uma que faz umas paradas inconsistentes e ruins mas tem uma arcada dentária interessante e um timbre vocálico sexy: Aimee Mann.

um cara que exagerava e irritava um pouco e era um letristas e músico excepcional: Jeff Buckley.

um que cantava parecendo que só cantava para si mesmo e era um letrista e músico excepcional: Elliot Smith.

esse último vai partir o seu coração (inclusive, partiu o próprio quando se suicidou dando uma facada no peito). ele não recomenda que ninguém passe tempo demais ouvindo seus discos — porque dá na mesma que assistir Despedida em Las Vegas. a não ser que esse alguém leve a sério música pop, sertanejo universitário, pagode, deathcore e outros subprodutos de gêneros musicais de verdade. e aquilo que se chama de funk aqui no Brasil — que nada tem a ver com o funk norte americano, que é o de verdade, não importa se tem gente que acha que tudo é relativo e adora se sentir antiamericano com seus amigos que fingem gostar de pelos pubianos compridos, um fato é um fato, e palavras como fato tem significados que não podem ser relativizados, muito embora seja cômodo e faça neguinho se sentir inteligente ao tentar desconstruí-las para impressionar alguém que, como ele mesmo, acha que 1+1=1.

de qualquer maneira, seja o folk americano de primeira categoria ou alguma música brega do Pink Floyd — que durante doze ou treze minutos fez todo mundo ficar pensando porque você inventou de querer por aquele caralho pra tocar no funeral do seu pai que preferia Frank Sinatra ou até mesmo um Molejão —, isso tudo é brincadeira de criança diante da maior expressão musical da história da raça humana. que é a música clássica, obviamente.

tirando aquelas porras de óperas.

vale dizer que este texto está sendo escrito ao som de Borodin, que, mesmo não sendo tão celebrado quanto seus conterrâneos russos, nem de longe faz jus a ele (este texto).

quero dizer, isto aqui é um negócio completamente abjeto e eu deveria tomar vergonha na cara. eu sei, buceta.

mas não vamos nem começar com isso e quem é que se importa.

ele se pergunta para onde foram seus personagens desgraçados dentro dos enredos que ele jogava no papel de qualquer jeito e fazia funcionar; muitas vezes olhou praquilo tudo e teve de se perguntar se não se tratava de um truque barato — como as músicas do Dylan. talvez não tenham ido para lugar algum. talvez ainda estejam vivendo em seu fígado, degustando porções da coisa e tomando uma numa mesa de boteco risca faca às quatro horas da manhã tentando soar convincentes com seus cigarros amassados e cicatrizes nos rostos sem conseguirem se lembrar de quem são. é só que não conseguem convencer a ressaca dele. ressaca essa que, estranho, às vezes bate no meio de uma tarde de trabalho sem ele sequer tenha bebido na noite passada. talvez seja um dos sintomas de que anda pegando pesado demais. provavelmente é só um tumor maligno no cérebro que começou a se espalhar.

de repente cheiro de subliteratura barata perfuma o ar como perfume de escadaria de prostíbulo…

ele se lembra com um pouco de saudosismo daquela vez em que dormiu num dos piores hotéis do mundo. tinha porra seca de outros caras no lençol da sua cama e baratas corriam pelo chão de tacos soltos e meio carbonizados. alguma merda pesada havia acontecido ali — ou simplesmente um acidente com o cachimbo de crack de alguém. o televisor era preto e branco e o chão do banheiro todo molhado de água infiltrada. aquela noite foi fria. não usou nenhum dos cobertores dentro do armário por medo de pegar alguma doença. tinha um cantilzinho cheio de bebida barata, três charutos vencidos e um livro de bolso de John Fante comprado por R$ 7,99 numa liquidação de livraria. sua vida não andava nada bem. já havia dormido em outros lugares assim a ponto de não estar achando mais graça nenhuma. não dava mais para bancar o escritor incompreendido sem grana; isso era coisa do século passado. e pior: criancice. ou melhor: negação. pois a vida não tem nada a ver com o romance predileto de alguém, não importa se esse alguém se acha uma espécie de artista subversivo da contracultura americana dos anos 50 porque esse romance não fala sobre vampiros, unicórnios ou de como você pode ser feliz em 30 passos, e ninguém liga para a pose que esse alguém faz quando fuma um monte de cigarros e toma café sentado à uma das mesas de calçada de algum barzinho da Av. Paulista tentando se controlar para não tirar oitocentas selfies e publicar nas mídias sociais enquanto espera dar a hora da abertura da exposição da artista fulaninha não sei das quantas que gosta de fotografar vaginas, paus e cus de todos os tipos e pregá-las num varal ao lado de uma samambaia e um crucifixo ou algo parecido. ele não podia mais agir como se fosse um personagem dos contos e novelas que tinha escrito e esperar que tudo fosse ficar bem um dia. simplesmente porque ele não havia criado o mundo real. aquela não era a história dele; era a vida. e com a vida a gente tem que brigar todos os dias. simplesmente não há outra saída. é o único jogo que há e, para variar, a gente entra nele já sabendo que vai perder.

na manhã do dia seguinte, ele meio que decidiu que não queria mais dormir nesse tipo de lugar.

de fato, não voltou a acontecer.

nunca mais levou o seu kung-fu para uma briga de sabres de luz.

esta última frase, ele imagina, provavelmente levaria 95% das pessoas deste país (pois ele não conhece nenhuma de outro), caso pudessem compreendê-la e tivessem a oportunidade de contra-argumentar, a se saírem com alguma pérola da sabedoria anelídea como “é melhor errar do que nem tentar”. coisa que, dado o contexto da historinha triste narrada acima, dá no mesmo que dizer que quando você sabe que vai errar, é melhor errar mesmo.

ele dá um pequeno riso ao terminar de escrever toda essa bobajada que ninguém lerá. se sentindo meio idiota, se levanta e se espreguiça. vai até a varanda do apartamento onde mora e acende um cigarro. faz calor. escuta as vozes das crianças brincando na piscina do prédio. seu cachorro toma sol e o observa atentamente. as folhas das plantas — que ele acabou de se lembrar que não rega há uma semana — farfalham ao vento. fogos de artifício explodem numa favelinha ali perto… chegou um novo carregamento de drogas na biqueira. ou o Corinthians está jogando e fez gol. som de funk (que na verdade não é funk, como já foi dito anteriormente nisto) sai das caixas de som de um carro que desce a rua à toda velocidade. e um escritor que começou a escrever na mesma época que ele hoje aparece em comerciais esporádicos na rede Globo anunciando a exibição de uma peça baseada em seu livro, algo assim. e ele deveria se sentir ressentido por não conseguir o que o outro conseguiu? faz sentido se ressentir de algo pelo que você nunca lutou de verdade porque talvez não quisesse esse negócio tanto assim ou foi covarde demais para percorrer o caminho todo, como sempre? em um grupo secreto do Facebook ao qual foi adicionado, outros escritores falam mal do escritor famoso com a mesma malícia porca de uma velha azeda fofoqueira que nunca se casou sob o argumento de que vai ser a esposa de Jesus Cristo quando morrer. aham, claro. cabe lembrar da mulher que escolheu a melhor parte, e de que dela isto não foi tirado só porque uma outra mulher escolheu a parte pior e ficou choramingando.

e a cartinha timbrada da academia de letras que o Paulo Coelho mandou para ele segue envolta em um pedaço de plástico recortado de embalagem de cueca. ele sabe que todo escritor que se preze tem que espinafrar o velho, e não tem vergonha alguma de dizer que se interessou muito pelos livros de Paulo Coelho num primeiro momento, e que várias vezes os revisitou — até porque quem tem que prezar um escritor como tal são os outros, não o próprio, obviamente. só não sabe o que levou o velho a lhe escrever e mandar a tal carta. nunca se conheceram pessoalmente e a literatura dos dois não tinha nada a ver uma com a do outro. ele se envaideceu disso em outras épocas; era um troféu que mostrava como quem não quisesse nada para pessoas do meio que acabava conhecendo quando tentava fazer seu nome. hoje é só algo fixado com fita crepe na parede em frente ao computador em seu escritório, onde ele se senta para trabalhar com uma tremenda má vontade na maioria dos dias. a ideia era servir de motivação para alguma coisa. o motivou a deixar a escrita de lado e arrumar outra coisa para fazer quando acha que tem que fazer alguma coisa para se sentir menos insignificante.

daqui a pouco ele vai tirar um cochilo no sofá da sala.

“vou cuidar desse cachorro até o fim”, ele diz para si mesmo.

“depois o negócio do carro azul e beber até morrer.”

não sente muita convicção em suas palavras.

talvez seja melhor assim mesmo.

talvez não tenha a ver com não ter coragem de tirar a própria vida; talvez seja exatamente o contrário.

ele não sabe em que momento começou a não querer decepcionar meia dúzia de pessoas que realmente se importam com ele. como isso os afetaria e coisas assim.

há uma pracinha perto de onde mora onde os velhos jogam baralho e bebem cachaça. um churrasqueiro sempre está por lá com seu carrinho de espetos; ele usa um chapéu vermelho ridículo e fala aos brados. parece um idiota com um parafuso solto.

certa vez esse idiota dava um sermão num bêbado que conhecia:

“você, com a família que tem, não era para estar desse jeito não.”

de repente não pareceu mais tão idiota assim com seu chapéu vermelho.

não tem nada a ver com o que acabei de contar, porém acho que vem a calhar terminar zibiagasparettando este texto com umas colocações meio estapafúrdias. portanto imagine um cacto de óculos escuros e camisa havaiana e pochete plantado em cima de um iceberg fumando dois cigarros ao mesmo tempo tentando soar profundo depois de uma noite regada a cocaína amarela misturada com um monte de remédio e cerveja e Dreher e vinho de garrafão e buceta de cinquenta reais sendo dublado pelo Mickey Rourke:

“às vezes a gente tem que fazer pelos outros aquilo que não conseguimos fazer por nós mesmos. se você pensar bem, talvez essa seja a única luta digna de se lutar.”

barulho de vento, tumbleweeds rolando e entram os créditos do filme ao som de “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro” do Wander Wildner.

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Cacto CACTO

Voz original CACTO

Dublagem MICKEY ROURKE

Figurino LOJAS RIACHUELO

Música WANDER WILDNER

Direção GILBERTO SAKURAI

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Agradecimento especial a Jack Daniel’s Distillery

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Gilberto Sakurai “O Maldito Escritor” — 21/02/2017

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